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“Palavra de Yahweh que veio à Jeremias, dizendo: Dispõe-te, e desce à casa do oleiro, e lá ouvirás as minhas palavras. Desci à casa do oleiro, e eis que ele estava entregue à sua obra sobre as rodas. Como o vaso que o oleiro fazia de barro se lhe estragou na mão, tornou a fazer dele outro vaso, segundo bem lhe pareceu. Então, veio a mim a palavra do Senhor: Não poderei eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? – diz Yahweh; eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel.” (Jeremias 18.6)

Essas palavras tem ecoado em meu coração a um tempo… Dispõe-te. Eu não sei bem quanto a você, mas eu sou cristão há um tempo. Quando se está sob a proteção de Jesus há muito tempo, você encontra realmente um lugar de segurança. O grande problema é quando esse lugar de segurança se torna uma zona de conforto, um lugar onde podemos deitar e parar, achando que não precisamos de mais nada. O relacionamento de Deus com alguém é prático. É prático e é dinâmico também… Para que tenhamos mais de Deus, muitas vezes, precisamos sair do lugar onde estamos e nos aventurar no desconhecido, no novo de Deus.

Desde minha viagem a Brasília, em Janeiro deste ano, nunca a comparação que Yahweh faz da sua obra em nossas vidas com o trabalho de um oleiro fez tanto sentido pra mim. Quando pisei em Maceió, naquele mês, a sensação que tinha era que estava girando sobre o torno do oleiro, dando várias voltas em torno de mim, sem entender isso. Quando Deus diz “não”, pode-se ter duas reações: a primeira é quando simplesmente nos revoltamos contra Deus e nos fechamos em nosso mundo, tristes e solitários. A segunda resposta é deixá-lo trabalhar e ser grato a Ele, por termos tido a graça de conhecer o plano do Grande Artista para nós.

Objetos torneados são mais difíceis de quebrar, são produtos especialmente trabalhados, resultados de um equilíbrio de forças. O oleiro, com seus braços para espremer, o torno, girando com toda a força, e no meio, o barro, lutando para permanecer imóvel e confiando nas mãos do oleiro e na sua habilidade para torná-lo um vaso. O maior problema em Deus querer sacrifícios vivos é que esses sacrifícios sempre querem fugir do altar. Imagine se um ceramista tivesse que trabalhar com uma argila que seja dotada de vontade própria? É assim que realmente acontece. Muitas vezes, é preciso se manter imóvel, girando sobre o torno, enquanto o Oleiro trabalha. Resistir a um jogo de forças para se tornar algo útil e de valor, na casa dEle.

Semana passada estava arrumando meu quarto quando um vasinho de barro que eu tinha sobre uma prateleira caiu e quebrou. Meu coração se comoveu com aquilo e percebi que o que havia acontecido era de fato, espiritual. Desde então, a figura do vaso tem se aproximado cada vez mais de mim, enquanto vejo o próprio Deus “desmanchando” as áreas da minha vida, uma a uma. Tenho escolhido a segunda reação que citei ali em cima. Sei que sirvo a um Deus fiel, que não desiste de um vaso até que ele esteja terminado. Essa mesma certeza me faz acreditar que há um tempo novo muito bom para o meu coração, sendo reconstruído pelo próprio Deus. Até mesmo a dor inevitável de todo o processo se torna menor, quando me encontro neste lugar onde estou hoje: nas mãos do Oleiro.

Haveria muito mais a se falar aqui, mas creio que seja um tempo real de balanço e de silêncio. Silêncio que tende a progredir cada dia mais. Tenho ouvido muito sobre mudar de lugar, mudar de vida, e estou animado com as mudanças que estão por vir, sem me importar muito sobre como meu coração vai reagir a elas. Algo é certo: sei que sem Ele, não passo de lama. Um bom vaso, só Ele pode me fazer. Vamos deixá-lo trabalhar em paz, sim?

Nas mãos do Oleiro,
Jeff

Em minhas belas curvas de barro
Com minhas lindas pepitas de ouro
E em meio às formas e tendências
Orgulhosamente misturadas em minha base
O Oleiro enxergou-me de todos os lados
E quebrou-me

Extraiu-me as pepitas
Umedeceu-me com lágrimas e me fez dar
Voltas e voltas parado no mesmo lugar…

Então bastou encostar-me Sua mão
E eis que me desfiz
Bastou que me tocasse – e já ninguém mais
Pôde me reconhecer

Mergulhado em meu barrento derretimento
Descubro que sem Ele apenas serei lama
Até tornar-me pó…
Mas bom vaso
Só o Oleiro poderá fazer-me

Só o Oleiro – Ele só!

(Só o OleiroTercio (Téo) Bernardes)

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